terça-feira, 18 de março de 2014

Tradição e Modernidade na BF - Baixada Fluminense


Sempre fui um militante cultural de Duque de Caxias, artista e animador cultural, e sempre tive a visão de que a cidade, pelo seu tamanho e importância no cenário regional e nacional, tinha que ter um movimento cultural contemporâneo, que estivesse em consonância com a produção nacional e até internacional.

Comecei minha militância cultural ainda nos anos 80, no Grupo Cultural Utopicus, que lançava a Revista Arrulho (revista de poesia editada por Eduardo Ribeiro), o fanzine Escória (de Paulo Kimkz), e a revista de humor Respaldo (criação de David Macedo). Além destas publicações, produzíamos o evento chamado Barrulho Cultural, onde misturávamos diversas manifestações culturais. Nesse período tivemos os primeiros contatos com Duchamp, o Dadaísmo, Erza Pound, Fellini.... Enfim, abria-se  um mundo novo em nossas cabeças. Foram anos de intensa produção, mas como ainda não existia internet, fazíamos tudo em xerox e o contato era real. Mesmo assim, conseguimos contactar vários coletivos em outros cantos do país.

Décadas depois, comecei minha participação do coletivo de cinema Mate Com Angu, agora já na era da internet. O grupo conseguiu construir uma tecnologia sócio-cultural muito interessante, fazendo história e deixando sua marca na cultura nacional.

Cito esses dois exemplos que participei diretamente, para exemplificar que, apesar de termos uma rica cultura com traços regionais e popular, a Baixada é um grande caldeirão de misturas, cores, formas e sabores. Essas manifestações culturais vão desde as Folias de Reis, ao samba, do artesanato, passando pelo funk, grafitti, rock, etc. Essa mistura, que ainda está em ebulição, fermentando em nosso seio, ainda busca uma cara, uma identidade, e vai-se tornando cada vez mais cosmopolita.
 Digo isso quando vejo uma novela da Globo com direção de arte de Raimundo Rodriguez: é a nossa cara que está lá! Ou quando vou à exposição de arte contemporânea, numa galeria em Copacabana, do artista Lippe Muniz, ou quando aparece o garfitti do Kajá no clipe da Beyonce.... É a nossa cara que está lá! Colando mais um pedaço desse mosaico chamado Brasil e escrevendo com nossas letras “Sou Baixada”!!!

 Cenário da nova novela das seis "Pedacinho de Chão" - Arte de Raimundo Rodriguez
foto: reprodução site oficial




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