sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Depois do Jucá.... E agora José?

 A vinda da comitiva do Ministro da Cultura na Baixada Fluminense causou um tremendo agito e ebulição, no já fervilhante caldo cultural da região. Artistas e gestores comemoram o saldo positivo, e o meio político anda perdido com tanta novidade. Já era de se esperar, pois estamos no meio de um processo que está buscando uma nova forma de pautar as demandas da cultura,  em boa parte do país. Os artistas, produtores, gestores e coletivos, que estão à margem do processo de distribuição dos parcos recursos, agora se mobilizam, e se organizam para também terem acesso, ao direito de disputar um pedaço desse quinhão. Convenhamos que R$ 17 milhões de reais para serem acessados via edital para todos os municípios brasileiros é ainda muito pouco, mas já é alguma coisa. O Minc vem abrindo uma série de editais que vão possibilitar um re-aquecimento de boa parte da produção fora do grande eixo da indústria cultural brasileira, não só do ponto de vista dos municípios, mas também em editais para a sociedade como um todo, o que extremamente positivo para todos.

Agora, voltando pro nosso quintal, cabe aos poderes público locais  fazerem sua parte, adequar as gestões ao que preconiza o Minc, e aí o buraco é muito mais embaixo, muitas das cidades, apesar dos esforços dos gestores de cultura, ainda não contam com um apoio claro dos prefeitos, muitas cidades não tem secretária e algumas entram na cota de divisão de cargos em troca de apoio político, o que causa uma completa dissonância com o mundo real, como se uma orquetra tivesse tocando valsa e o povo dançando bolero. Não existe uma visão estratégica do potencial da cultura, aliás , nem aqui, nem no governo federal, que pode ter a maior boa vontade no discurso, mas a prática é outra...e como dizia Lênin "-A prática é o critério da verdade". Digo isso em relação aos vários cortes do orçamento que a pasta vem sofrendo ao longo dos anos, e do contigenciamento dos recursos orçamentários.

Outra questão relevante é fechar as pautas abertas, as obras inacabadas, o patrimônio tombado que merece atenção, questões que há decádas estão em aberto na região, foi muito bom ouvir do Ministro Juca Ferreira, que irá dar prosseguimento as obras do Teatro de Nilópolis, que aliás tinha se iniciado, na sua passagem anterior pelo ministério. Também é preciso retomar e entregar para a população as obras dos 09 CEUs que estão em construção, que se iniciaram e até hoje não foram entregues a população, num investimento total de quase R$ 25 milhões de reais. É preciso tambem priorizar as ações em relação ao patrimônio histórico, principalmente aos bens tombados pelo IPHAN, que são: A Estação de Guia de Pacobaíba em Magé, a Igreja do Pilar e a Fazenda do São Bento, ambas em Duque de Caxias.

Como podemos ver a pauta é extensa e as carências são imensas, boa vontade não falta, mas é preciso muito mais. Temos muitas ações positivas acontecendo, tanto da sociedade civil, quanto do poder público. A vinda do Ministro Juca Ferreira, conseguiu colocar a cultura da região, no cenário nacional com um protagonismo que creio eu, que nunca houve, digo dentro de uma visão de quem não é daqui, porque quem vive e conhece, sabe muito bem  do nossso potencial criativo desse imenso território chamado Baixada Fluminense.



                          Placa das obras do CEU que estão paralisadas em Nova Iguaçu

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