sexta-feira, 2 de março de 2012

Fundador do Megaupload nega ser ‘o rei da pirataria’

01/03/2012 |
Redação
O Globo
Dotcom comparou operação do FBI com caso das armas de destruição em massa do Iraque

RIO - O fundador do site Megaupload se defendeu das acusações de pirataria na quarta-feira em sua primeira entrevista após sair da prisão na Nova Zelândia. Kim Dotcom comparou a operação do FBI que culminou em sua prisão com o falso argumento sobre armas de destruição em massa que justificou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e ainda afirmou: “Eu não sou o rei da pirataria”

- É como as armas de destruição em massa no Iraque, sabe? Se você quer pegar alguém e há um objetivo político nisso, você dirá o que for necessário - disse Dotcom, de 38 anos, que foi libertado sob fiança da prisão na semana passada após um mês atrás das grades e ficará em prisão domiciliar em Auckland, Nova Zelândia, sem acesso à internet.

Para o criador do Megaupload, o governo americano agiu para “proteger um modelo de negócios monopolista e datado que não funciona na era da internet".

- Eu não sou o rei da pirataria. Eu oferecia armazenamento on-line para usuários, e isso é tudo - afirmou o alemão, acrescentando que “centenas de outras empresas” oferecem serviços similares de compartilhamento na nuvem. - Sou um bode expiatório. Já fui hacker, não sou americano, não tenho US$ 50 bilhões no banco. As acusações são insanas. Dizem que o Megaupload causou um prejuízo de US$ 500 bilhões à indústria do entretenimento, mas isso é loucura, já que a ela fatura por ano US$ 20 bilhões. Vocês acreditam que se os estúdios tivessem prejuízos bilionários ficariam sentados sem fazer nada, sem nos processar?

Dotcom disse que o Megaupload não podia, por lei, monitorar o conteúdo que seus usuários compartilhavam, e que, portanto, não pode ser considerado cúmplice de pirataria. Ele citou o processo movido pela empresa de entretenimento Viacom contra a Google, que acabou vencendo com a alegação de que não é responsável pelo que os internautas postam na Web. Para o alemão, sua prisão foi uma surpresa e um pesadelo, já que o site só havia sido processado uma única vez em sete anos de existência, segundo ele.

Dotcom disse também que o Megaupload sempre retirou do ar conteúdo apontado como ilegal pelas empresas atingidas, e que 180 companhias eram parceiras nesse trabalho, inclusive os estúdios de cinema e a Microsoft.


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